Há duas palavras de que muito gosto. Uma é amor a outra, adeus.
Queria agradecer o maravilhoso trabalho do João para o template deste blogue e deixo-vos com
India Song
Chanson,
Toi qui ne veux rien dire
Toi qui me parles d'elle
Et toi qui me dis tout
Ô, toi,
Que nous dansions ensemble
Toi qui me parlais d'elle
D'elle qui te chantait
Toi qui me parlais d'elle
De son nom oublié
De son corps, de mon corps
De cet amour là
De cet amour mort
Chanson,
De ma terre lointaine
Toi qui parleras d'elle
Maintenant disparue
Toi qui me parles d'elle
De son corps effacé
De ses nuits, de nos nuits
De ce désir là
De ce désir mort
Chanson,
Toi qui ne veux rien dire
Toi qui me parles d'elle
Et toi qui me dit tout
Et toi qui me dit tout
Nem de propósito, comecei com Duras e é com ela que termino esta minha passagem pela blogoesfera. Não que seja de vez mas, de facto, o tempo que consigo dedicar a esta «aventura» é cada dia que passa, mais e mais escasso. Antes de partir, deixo-vos com a memória do meu filme favorito.
«De novo a luz: é a luz. A luz que muda e deixa de mudar, repentinamente. Aumenta, ilumina e fica assim, iluminante, igual. O viajante diz:
- A luz.
A mulher olha.»
Diz-se que, depois de muito meditarem, certos budistas conseguem ver uma grande paisagem numa ervilha.
É o que sinto quando oiço a maioria dos comentadores políticos, e não só, na televisão ou quando os leio nos jornais. São raros os que consigo destacar no deserto. Salvo Alfredo Barroso, Nuno Rogeiro (este, em doses moderadas) Eduardo Prado Coelho, Jauário Torgal Ferreira e hoje junto os nomes de Maria Filomena Mónica, Augusto M. Seabra e António Barreto. De resto, sinto saudades de Vasco Pulido Valente e ainda mais saudades de Victor Cunha Rego.
A paisagem das ideias em Portugal é, mesmo assim, deprimente, reduzida aos estereótipos criados por Marcelo Rebelo de Sousa em que a velocidade e o brilho da televisão retiram toda e qualquer hipótese em prol da reflexão. A tentativa de Pacheco Pereira é, em meu entender, apenas uma desajeitada maneira de mostrar um serviço diferente, com um conteúdo diverso mas que, no formato de um tele-jornal, acaba por ser enfadonho. Nem oito, nem oitenta! Não foram as excepções e dir-se-ia que Portugal estava quase condenado ao lema radical de Ulrique Meinhoff: entre a solução e o problema, nada existe no meio!
Na SIC Notícias. Um óasis de ideias e humor neste nosso deserto de comentadores rotineiros. Nuno Rogeiro mostra o seu lado mais bem humorado e Alfredo Barroso como sempre irónico, cultíssimo e inteligente. Falam de política e surpreendem quando se abrem para a música de Angelo Branduardi, para dar um exemplo inesperado. Absolutamente fabulosos!
e ter que o fazer, mesmo com o pouco tempo que tenho. Destaco o blogue Epiderme e o template extraordinário do Vermelhar (junto deste blogue, limito-me a corar de vergonha!)
Esta é a capa do livro. No post anterior, o cartaz do filme. Eis o que pensa Philippe Azoury do Libération:
«Les Marins perdus
de Claire Devers,
avec Bernard Giraudeau,
Marie Trintignant,
Audrey Tautou... 1 h 47.
Un navire en stand-by, des marins le vague à l'âme, des filles à matelots et des fem mes aux yeux tristes... Le nouveau film de Claire Devers (adapté d'un roman de feu Jean-Claude Izzo) navigue sur le phantasme d'un Marseille de légende, interlope et capiteux, usé jusqu'à la corde mais réactivé quand même, aujourd'hui, sous la forme du polar.
Comme on pouvait s'y attendre, tout le monde ici compte sur une distribution ad hoc : qui va de la jolie écervelée (Audrey Tautou, dans un rôle limité) au héros positif, cuit aux embruns (Giraudeau plutôt en bonne forme). Et une guest-star involontaire et déjà fantomatique (Marie Trintignant).
Le film de Claire Devers n'est pas antipathique, seulement son parfum de cinéma d'avant-guerre (qui ne réussit à réanimer ni le fantôme de Viviane Romance ni celui de Gabin) ressemble à s'y méprendre à une bonne fiction télé. Le désir reste à quai, en gros.»
Diz que lhe falta sal. Tem razão. O livro é incomparavelmente mais denso e intenso. Por que será que os bons romances perdem para o cinema? Para todos os efeitos, Claire Devers não tem sal para não falar de outras especiarias... Falta-lhe a pimenta, o cravinho, a canela e o gindungo.
Parafraseando um texto, belíssimo e comovente, assinado por outra Marie, a nossa Maria de Madeiros. Je vous salue Marie! Aqui, tão viva, a caminhar na nossa direcção. Tão leve, o seu andar, tão trágica a sua vida. Imortal Marie.
«’Marseille, ce matin-là, avait des couleurs de mer du Nord ‘. Loin, sur la digue du Large, oubliés, trois hommes survivent à bord de l'Aldébaran, un cargo dont l'armateur a fait faillite. Le capitaine libanais Abdul Aziz, le Grec Diamantis, son second, et le Turc Nedim, le radio. Tous trois espèrent sans plus y croire, la reprise de leur navire.
Au fil des jours, les trois hommes apprennent à se connaître, mieux qu'ils ne pouvaient le faire en mer. Ils partagent leurs souvenirs, puis leurs doutes et leurs peurs. Pourquoi ne sont-ils pas partis, comme le reste de l'équipage, Pourquoi s'engluent-ils à bord de ce bateau qui rouille ?»
...não são incompatíveis. É fundamental que andem de par. No dia em que os cientistas apartarem o Amor e o Mistério da investigação entrarão, inevitavelmente, no mais árido dos planetas.
It Must Be Beautiful: Great Equations of Modern Science
Graham Farmelo
«The equation has come to embody the mystery and terror of modern science. It Must Be Beautiful is a wide-ranging collection of writings that lift the lid on some of the most influential — and notorious — equations of all time. This book brings together gifted scientists and writers, including Nobel Prize winners, to interpret the scientific work of the 20th century and place it in historical perspective. Each essay presents the essence of an equation, explains why it is fundamental, defines its scope and limitations, and finally states its importance in the wider intellectual and popular culture.
Contributors include Peter Galison, of Harvard University, on E=mc2; Roger Penrose on Einstein’s equation of general relativity; Robert May, President of the Royal Society, on the quadratic map; John Maynard Smith on the mathematics of evolution; award-winning journalist Aisling Irwin on the equations which predicted that a hole would appear in the ozone layer; Frank Wilczek on the Dirac equation for the electron; Oliver Morton, contributing editor to Wired magazine, on the Drake equation, which clarifies thinking about the likelihood of extra-terrestrial life; and a thoughtful afterword by Nobel Laureate Steven Weinberg. »
The Shadow Club: The Greatest Mystery in the Universe-Shadows-and the Thinkers Who Unlocked Their Secrets
Roberto Casati
O que é mais estranho que uma sombra?
«Shadows are messengers from the world of darkness, images that we can't shake off, black spots that have troubled our sleep through the ages. And yet shadows have been the key to unlocking some of our toughest scientific problems: the reason for eclipses, the distances between planets, the shape and size of the earth, the structure of the solar system, the nature of time itself. In this unique study - combining history, science, and anthropology - Roberto Casati discusses the famous and the obscure who, armed with imagination and creativity, struggled with the concept of shadow and provided us with explanations of and uses for our constant companion. Among those who were part of this "shadow club" were Pratosthenes and Galileo, ancient Arab astronomers and modern mathematicians, classical Greek painters and Leonardo da Vinci. And now, the name Casati - who has given us the first book devoted to the subject - can be added.»
Diálogos sobre a fé (a fé à procura da sua inteligibilidade)
No meio do torvelinho de comentários políticos e partidários, tantas vezes disfarçados de opiniões isentas, é um bálsamo para a alma encontrar as cartas do Professor Eduardo Prado Coelho e D. Januário Torgal Ferreira. Não se trata apenas de diálogo ou muito menos de exibição. É toda uma ideia de humanidade que nos passa uma noção de que ainda é possível encontrar quem pensa em Portugal, longe das hipocrisias. Parabéns ao Diário de Notícias pela ousada ocupação de duas páginas que irão fazer parte, indubitavelmente, da História das ideias em Portugal.
«Sempre coloquei para mim esta espécie de norma intransigente: só vale a pena ser um crente se um crente é diferente do que seria caso não fosse crente. Será que muitos crentes podem passar incólumes num teste deste tipo?» Professor Eduardo Prado Coelho
«Não, neste mundo ninguém passaria com 20 valores. É curioso verificar que muitos dos que nos olham de fora, têm a nosso respeito a mesma urgência de Deus: de que sejamos santos já.» D. Januário Torgal Ferreira